[RESENHA] O Homem de Lata - Sarah Winman

O Homem de Lata - Sarah Winman
Começamos o livro conhecendo Dora Judd, uma mulher de coragem que desafia o marido ao ganhar uma rifa. O marido de Dora exige que ela escolha o uísque mais caro, mas em um ato que para ela era um gesto libertador, escolhe um quadro de girassóis. 

"Leonard gritava para que ela escolhesse o uísque.
Pegue o uísque, Leonard tornou a gritar. O uísque!
Dora se virou, olhou para o marido e afirmou: Não, eu não gosto de uísque, prefiro a pintura.
Foi o primeiro gesto desafiador da sua vida"

Ao ser lida, a princípio seria uma cena que poderia ser retratada como sem valor ou importância, mas o poder transformador da arte; um dos temas que permeia O Homem de Lata, faz a cena ter completo sentido. 

"A porta explodiu e quase se soltou das dobradiças. Leonard Judd se precipitou em direção à pintura e, com maior rapidez com quem já se movimentava na vida, Dora se colocou na frente e ergueu o martelo, dizendo: Faça isso e eu te mato. Se não agora, quando você estiver dormindo. Essa pintura sou então toque nela, respeite. Essa noite eu vou para o outro quarto. E amanhã, compre para você outro martelo. Tudo por causa de um quadro de girassóis"

O livro é dividido em duas partes: Primeiro temos a história sob o ponto de vista de Ellis. No ano de 1996, encontramos um homem absorto da vida social, vivendo sozinho e trabalhando todas as noites em uma fábrica de carros. Completamente entregue a solidão.
Em determinado momento somos apresentados a uma narrativa cheia de lembranças, somos levados aos anos 70, quando Michael e Ellis se tornam melhores amigos. Os dois possuem diversos pontos em comuns como o fato de ambos crescerem sem suas mães, o amor pelo ciclismo e viagens. Entre segredos e descobertas temos uma história de amor e amizade que se estende por décadas. 
Quando Annie entra na trama, o trio torna-se inseparável. 
O ponto que começamos a sentir uma pontinha de tristeza é quando amizade se rompe de repente, a partir do momento que Michael se muda para Londres e desaparece das vidas de Ellis e Annie. 

"A vida não era tão divertida sem Michael. Não tinha tanto colorido sem ele. A vida não era vida sem ele."

Na segunda parte da trama, somos transportados para Londres onde, através da versão de Michael, vamos tendo a oportunidade de saber a história de sua vida e lembranças de seu relacionamento com Ellis. Posso afirmar que a versão de Michael é bem mais significativa, onde, já adianto, preparem os lenços porque é praticamente impossível conter as lágrimas.
Nessa trama incrível e emocionante, encontramos corações partidos, sonhos, a intensidade das amizades juvenis, a dinâmica emocional da sexualidade, um relato da pavorosa realidade da epidemia de AIDS em Londres, que ocorreu nos anos oitenta, tudo isso faz dessa história uma trama repleta de emoções. 
A autora consegue passar empatia e sensibilidade sobre o efeito do sofrimento na vida humana. romance curto, de leitura rápida, mas que sustenta um enredo com impacto devastador.
Nunca havia lido na autora, e minha primeira experiência foi muito positiva, a leitura fluiu super fácil. Sarah, conseguiu passar, os sentimentos dos personagens, de modo que nós passamos a sentir tudo como se estivéssemos vivendo cada emoção. É uma obra sensacional, muito bem escrita, a Editora Faro fez um belíssimo trabalho na capa e em todo livro, diagramação impecável, não encontrei nenhum erro ortográfico, para finalizar recomendo que todos leiam em algum momento da vida, esse livro, pois tenho certeza que irá se encantar tanto quanto eu me encantei!


Leia O Homem de Lata


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